sábado, fevereiro 11, 2006

Pensamento² #10

Cá estou eu, nesse dia chato, cheio de coisas estranhas, ouvindo umas músicas estranhas...(aquelas que só tocam nas rádios depois das 2 da manhã).
Sem rumo, apenas escrevendo por não ter nada para fazer. (Existe algo melhor do que escrever??...ahh sim, jogar video game...).
Sem rumo, totalmente, só pensando besteiras.

O último post foi sério de mais, dá pra perceber que não foram minhas palavras.

Voltando a história do "sem rumo". agora sou uma completa vagabunda. Sem estudos, sem trabalho, sem dinheiro, sem futura profissão, sem dinheiro...
Estou pensando o que vou fazer, a dúvida é grande. Ainda não resolvi se cato latinha nas ruas, papelão também seria uma boa, artesanato na praia, mímica em praças, ainda não sei...(barraquinha de pastel também seria legal).
Minha única ocupação no momento tem sido a música. Só ela não me abandona nas horas difíceis, não me deixa só nesse mundo cruel, está sempre alí, nem se for pra me alegrar com um "parabéns pra você".

Largo projetos, novos surgem.

Mudando de assunto, eu estava pensando. Eu fiquei tanto tempo sem postar nada, e aí eu percebi que só posto quando me sinto estranha. Por isso demorei tanto pra postar. E os posts do ínicio do blog são todos de datas próximas umas das outras, e essas datas correspondem a época em que eu ainda estudava, a época de chatice, da convivência com pessoas idiotas. Era a época que eu tinha muitas coisas pensadas pra colocar aqui...

Agora é só esperar mais dias estranhos para eu ter o que escrever novamente.

Mas, enquanto isso, vou continuar fazendo as minhas músiquinhas, ouvindo outras coisas, conversando, e continuar a fazer tudo o que eu gosto...
(final feliz!)¬¬

::Foto:Sheri Hausey::

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Pensamento² #9

Ultima Hora
(São Paulo - Ano XVIII - Sábado 30 de março de 1968)

ACABOU A GRAÇA

Há um estudante morto. Um tiro no peito de uma criança de 16 anos. Vinha com as mão vazias de armas, quentes de amor. Era o gesto generoso de quem pede, de quem luta-limpa a alma, certo o gesto. Seus olhos ainda umidos da infância traziam reflexos da aurora que ele sonhara.

Está morto. Um tiro no peito tão criança, uma bala no coração tão menino.
Hoje não tem graça fazer graça. Ele era meu irmão. Podia ser seu filho. Hoje não tem graça. O brasil perdeu a graça. Não é um país para rir. É uma funeral para chorar. Também eu quero carregar nos ombros seu corpo sem vida. Em silêncio.

Dentro da boca, embora fechada, os dentes cerrados. Por um menino morto.

::Texto:Ultima Hora. AESP::
::Foto:Desconhecido::

domingo, dezembro 25, 2005

Pensamento² #8 - Dingou Béus!!


É...o "DINGOU BÉUS" chegou...as ruas estão iluminadas...as pessoas gastando seus salários suados com presentes idiotas...algumas outras continuam passando fome...

Os shoppings estão pirando na neve artificial...os noels esntregam mais de 333.333 cookies por dia no hall de entrada dos shoppings...
Barbies são compradas, embaladas, e colocadas em baixo das árvores...panetones são devorados com todo fervor após serem retirados das cestas de natal...
Vendedores se irritam ao serem obrigados a usarem gorrinhos do noel nas lojas em que trabalham...

As lojas abrem mais cedo e fecham mais tarde...as ruas se tornaram estreitas calçadas...sem condição alguma de se caminhar...
E mais gorrinhos por todos os cantos....é o entregador de pizza, é o balconista da locadora, os manequins de loja de roupa, os ursos enormes nas lojas de brinquedo, até aquele senhor barbudo que anda pela rua catando latinha...aquele que anda todo sujo, ta sempre pedindo dinheiro pra tomar um cafésinho na padoca, até ele usa um gorrinho...e na caixa de papelão onde ele mora tem uns galhos secos enfeitados com restos de embalagens coloridas...ele também comemora o natal....que lindo!!! ¬¬

Tudo pisca... a janela da visinha, o toldo da mercearia, os condominios (com aquela vaquinha que o porteiro fez pra enfeitar tudo...), os camelôs, os shoppings intão...ai ai ai...tudo pisca...tudo pisca...pisca...pisca...pisca-pisca!!! ai ai ai...
Os "amigo secreto" param tudo...as famílias, colegas de trabalho, colegas de classe...todos piram com esse jogo tão sapeca do natal...ai ai ai...

Só na meia-noite....que fica tudo xoxo...não tem fogos...é um PUM! alí, um CABUM! lá....e só....pra que tanta preparação se na hora todo mundo fica quieto??!!

Mas...voltando ao pisca....porque raios pedurar lampadinhas coloridas nas casas...e gastar energia até o outro mês??!!! Qual relação isso tem com aquela história lá...o pai do Jesuissss era eletrecista??? e gostava de cores variadas??? ai ai ai viu...

Bom a única virtude disso tudo...é que posso comer panetone e assistir Esqueceram de Mim, que alias a globo ainda não passou, mas provavelmente vai passar....eles sempre passam...

mas...mesmo assim cantarei a pequena canção..."dingou béus, dingou béus...dingou óooo nou uei"...

terça-feira, dezembro 20, 2005

Pensamento² #7 - sEm pAlavras...

Cats...cats...cats...

::Arte:Veronique Perron::


segunda-feira, dezembro 12, 2005

Pensamento² #6

AQUILO POR QUE VIVI

Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero.

Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei.

Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui.

Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por avaliar o mal, mas não posso, e também sofro.

Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade.

(Bertrand Russel, Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.)

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Pensamento² #5

Canto porque sai, não porque sei,
Canto porque sinto, não porque sou,
Canto por cantar, não pra viver,
Canto para mim, não para alguém...

Não sei Cantar...


::Arte:Takashi Murakami::

::AOS::

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Pensamento² #4

Todo mundo tem a sensação de estar sendo sempre sincero, falar o que pensa, fazer o que quer, ser o que é...só que às vezes esquecemos da sinceridade em pequenas coisas, coisas simples, do nosso cotidiano mesmo...

Como por exemplo:

- Eu sempre esqueço de reclamar com o tio do bar por ele amassar o trident que eu compro... (Ou quando o babalu vem estourado...)
- Quando o motorista do ônibus vê que está chovendo, vê que não cabe todo mundo no ponto, e ele vai e passa naquela enorme poça de água, e você fica lá, com cara de merda, toda molhada...
- Quando alguém passa por você, esbarra, e vai embora, como se nada tivesse acontecido.
- Quando você vê que o tiosinho do cachorro quente colocou o dedo no seu pão, e você não fala nada.
- Quando você vê um bando de marmanjos passando por baixo da catraca, sendo que você pagou sua condução. E eles ainda deixam cair dinheiro do bolso no meio da ação. E você e o cobrador não falam nada, sendo que os dois têm muito a dizer.
- Quando alguém te mostra um bebê recém nascido e fala: "ele não é lindo?!", e você fala: "é, é sim..."

E várias outras coisas que eu não vou me lembrar, porque eu sempre esqueço de tudo.


Todos buscam a perfeição e junto com ela a sinceridade. Mas, todos somos hipócritas, mesmo que inocentemente.
Do mesmo jeito que é impossível viver sem ser capitalista, também é impossível seguir por completo o peso da palavra sinceridade.

Conclusão: "Não vou mais comprar trident!!"

::Arte: The Red Paintings ::